terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vida Formosa

Saudades do Zé Carlos Cruz, meu amigo e irmão, falecido em 11 de Outubro de 2013.
Seu corpo foi guardado no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo e nós, os seus amigos estávamos lá para um 'até breve'. E quantas pessoas, quantos amigos! Foi emocionante!
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Aquele corredor estava cheio.
Quantas pessoas naquele meio!
200, 250, 300?
Era difícil contar direito.
Uma multidão veio,
E mostrou amor e zelo,
Carinho e respeito.

O corredor era largo.
Por causa dele se apertaram,
Por causa dele se ajuntaram,
Por causa dele prantearam,
Por causa de sua luta se enlutaram.

O corredor era longo.
E os corações se alargaram,
E os corações de apertaram,
E os corações de machucaram,
Mas muitos reclamaram:
Lenços não foram suficientes,
Para aqueles olhos carentes!

O corredor estava cheio,
Mas se esvaziou por inteiro.
Por toda a vida ele correu,
Pelo corredor estreito.
Aquele corredor esvaziou seu peito,
E ele correu até o fim,
E chegou à linha de chegada, enfim.
Ele fez exatamente assim!

O corredor deitou e descansou,
Venceu a corrida da vida,
Agora dorme sua morte tranquila.
José Carlos Cruz carregou sua estaca,
Correu sempre em guarda,
E agora apenas aguarda,
Uma simples chamada:
'José Carlos, acorda,
E vem para fora!'
                            Outubro 2013



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Setembro e CIA

O inverno tá indo embora.
Este ano ele foi longe demais,
Mas não tão longo assim.
As flores estão chegando.
Que elas cheguem coloridas,
E encubram,
Minhas pedras cinza,
Minhas pedras doloridas.
Que em seu meio,
Em meu canteiro,
Brotem lindas margaridas.

Seja bem vindo ipê,
Paisagem boa de ver.
Cada flor bela,
Bela cabeleira amarela,
Elas parecem arandelas.
A seus pés fica só o tapete,
Tapete dourado tipo alameda,
Esparramadas aos pés da primavera.

Daqui já vejo o verão.
O sol vai trabalhar até suar.
Ah, mas não vou me estressar,
Pois ainda uso blusa pra esquentar!

Cada frio em seu inverno,
Cada folha em seu outono.
Cada flor em sua primavera,
Cada suor com seu verão.

Não posso chorar,
A lágrima de amanhã,
Nem gargalhar o sorriso,
Da próxima semana.
Por enquanto,
Vou suportando o sol de hoje.
Se tiver sombra eu agradeço,
Ou vou aceitando a chuva que cai.
Se tiver um abrigo, obrigado,
Senão vou continuar procurando,
Onde deitar meu corpo cansado,
E esperar o próximo inverno.
Que ele não seja tão longo.
Se for, que eu saiba suportá-lo,
Senão, que ele possa suportar-me.
                             Outubro 2013


Daqui já vejo o verão.
O sol vai trabalhar até suar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mãe, cadê o pai?

Mãe, você sempre me falou,
Que eu deveria ser bom.
Mas o meu ‘bom’,
Para muitos não é tão bom.
E esses muitos não são poucos.
Quando sou bom,
Dizem que é ruim.
Quando sou mau,
Dizem que é bom.

Mãe, você me ensinou,
Que roubar é errado.
Uns não foram bem ensinados,
E querem roubar minha alegria.
Quanta gente 'pobre' que vem a mim!
E eu aprendi contigo, mãe,
Que devo ajudar gente assim.
Mas como ficar sem alegria,
E dar pra eles a minha?
Me ajude, mãe.
Isso tira a minha alegria.

Mãe, você me dizia,
Pra respeitar as pessoas.
Tem dia que é difícil, confesso,
Mas faço mais do que eu posso.
Mas são tantos desrespeitos,
Que me vejo nesse meio,
Sem saber o que fazer direito.
Às vezes esqueço a sua lição,
E dá vontade,
De falar o que dá vontade.
Mas está bem aqui o meu respeito,
Bem guardado em meu peito,
Pronto pra ser usado.
É antigo, mas está intacto.

Meus chefes, 
Querem e exigem,
Que eu saiba lidar,
E me virar,
Com pressão e trabalho estressado.
Mãe, eu não sou panela,
Pra saber lidar com pressão.
Mas tenho que agüentar,
O fogareiro do fogão.
E seu eu apitar e bufar,
Igual panela a esquentar,
Vão me chamar de doido varrido,
E vão me internar num hospício.

Mãe, cadê o pai?
Você sempre me falou coisas boas,
E nunca de coisas ruins e à toa.
Você nunca quis falar,
Da tal da morte.
E agora o que eu faço?
Eu cresci e vi,
Que nem tudo na vida,
É só vida.
Mãe, cadê o pai?

Mãe, já está tarde demais,
E preciso aprender a ser pai.
Agora eu tenho filhos,
Pra orientar e pra criar.
Nem acabei de aprender,
E agora tenho que ensinar.
Mãe, cadê a senhora?
Mãe, cadê o pai,
Pra me ensinar a ser pai?

Mãe, eu sei,
Não adianta,
Pois a carga é minha.
Se terei lucro,
Ou se terei prejuízo,
Isso é da minha conta.
Obrigado mãe,
Obrigado pai.
Outubro 2013




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vidas e maravilhas

Em 25 de setembro de 2013 nasceu Alice,a baby girl da Jenifer e do Rodrigo. Quando nasce alguém, há uma mistura de alegria e preocupação. Mas com amor dos pais da pequena Alice, ela terá muitas alegrias e saberá lidar com momentos difíceis.
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Todo dia nasce gente,
Igual gente ou indigente.
A maioria não vou conhecer,
Talvez eu vá te encontrar,
Mas com certeza,
A minha casa é sua,
E a sua pode ser a minha.
Mas uma coisa é fato:
Nosso planeta é emprestado.
  Perdão, pois minha geração,
  Deixou seu berço em péssimo estado.

Pessoas pela sua vida,
Vão somar e dividir,
Talvez até subtrair,
Mas não se preocupe com a matemática,
A vida pode ficar dramática!
Pague a todos cada vintém,
E não se esqueça de ninguém.
Pague sempre bem com bem,
Mas o mal também com o bem,
E viva sempre bem.

Se vais sujar as unhas na terra,
Ou sedentário no escritório,
Ou cuidar de gente no consultório,
Prepare-se para a guerra,
Pois a batalha é longa,
E dura uma vida inteira.
Aprenda com as derrotas,
Saboreie as vitórias,
E compartilhe suas glórias.
O inimigo?
Algumas vezes serão os outros,
Mas muitas vezes será você!

Não sei se você é José,
Não sei se você é Maria,
Mas se você for Alice,
Bem vinda,
E faça deste país uma maravilha.
                             Setembro 2013






quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pequenos negócios, grandes esquemas

De grão em grão,
A galinha vira caldo.

De papo em papo,
A conversa vira um falatório.

De pena em pena,
O frango vira um travesseiro.

De samba em samba,
Chegou outro Fevereiro.

De bituca em bituca,
O bueiro passa mal o ano inteiro.

De gato em gato,
O couro vira um pandeiro.

De pato em pato,
A gente engole um dinossauro,
E o batráquio fica engasgado.

De gole em gole,
A gente não lembra mais nada.

De nada em nada,
Tudo acaba em pizza,
Nada acontece,
E tudo fica na mesma.

De pizza em pizza,
A conta é nossa,
Tudo acaba em samba e bossa.

De copa em copa,
Nada acontece,
E tudo FIFA na mesma.

De estádios em estádios,
O estado do povo fica largado.
Mas uma coisa é hospital,
Outra coisa é estádio de futebol.
Sem misturar ratos e bugalhos,
Acamados e deputados,
Zé ninguém e ronaldos.

De bola em bola,
A rede se enche de gol,
E eu fico desclassificado.
Aí eu compro o jornal,
E me debruço sobre os classificados. 

Já dizia um amigo da Florentina:
Pior que está não FIFA.
                             Setembro 2013






sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Eu quero, eu preciso

Eu não falo bem,
Igual um locutor de FM,
Mas não sou mudo,
Quero falar e ser ouvido.

Não tenho dinheiro,
Igual ao dono do baú,
Mas quero ter poder de compra,
Poder comprar o que preciso,
E às vezes, nem sempre,
Poder comprar o que quero.

Não tenho beleza,
De um artista de cinema,
E se tivesse,
Não seria um narcisista,
Mas quero encarar,
O cara do espelho,
Cabeça erguida e dizer:
‘Vamos pra mais um dia’!

Eu não sou famoso,
Igual uns caras,
Que não tira a cara da Caras,
Mas eu quero ser valorizado,
Mas somente por quem tem valor.

Não procuro,
O melhor trabalho do mundo,
Mas quero trabalhar,
E me sentir,
Como se tivesse,
O melhor trabalho do mundo.

Não quero ter visão de Superman,
Mas quero olhar,
Enxergar o que está errado,
Ver o correto,
E decidir pelo que é certo.
Seguir a multidão,
É perigoso,
E nem sempre a maioria,
Tem a sabedoria.
Deus disse,
Que a voz do povo é a voz dele?

Quero me vestir,
E não quero ser démodé.
Mas fico esperto,
Com a moda no vestir,
No falar e no pensar.
Ser careta,
Pode ser bom sinal, falô?

Quero ter oito horas,
Pra fazer o que preciso.
Preciso de quatro horas,
Pra fazer o que quero.
Gostaria de quatro horas,
Pra fazer o que gosto.
Ainda sobra tempo,
Pra curtir o que fiz,
E fechar os olhos,
Até o meu adormecer,
Até o nosso amanhecer.
E começar tudo de novo,
Tudo novo.
                            Setembro 2013


domingo, 1 de setembro de 2013

Lavando louça

Eu lavo a louça do almoço.
Sabão de pedra,
E bucha amarela.
Bom Brill virou palha de aço,
Ou o contrário, eu acho...

A pia tá cheia,
A pilha tá grande.
Caneca com leite fervido,
O cano tá meio entupido.
Panela de pressão,
Com resto de feijão.
Frigideira com fritura,
Tem óleo e gordura.

O inverno castiga,
E a água tá mais fria.
Vou dar dois cheques,
E comprar uma torneira quente.

Meu umbigo faz bico,
E reclama da pia,
Mas avental eu não uso.

Cadê o pano de prato?
Rasgou e tá furado,
Parece um trapo.

Eu vou esfregando,
E a minha sujeira vai escorrendo,
Pelo ralo lá dentro.

Tem sujeira que gruda e não sai.
Umas já fazem parte,
De minhas panelas,
E vão ficar por toda vida.
O caldeirão por fora fica bonito;
Lá dentro fica limpo.

Mas deixe a água suja ir embora,
Senão seu encanamento dá problema.
Limpe e esfregue sua caneca,
E veja seu olhar refletido nela.
Então podes ficar sorrindo:
Você está ficando limpo.
                          Setembro 2013