domingo, 12 de maio de 2019

Gira Sol

Gira pra lá
Gira pra cá
Fica de olho
Não perca o posto
Você é poderoso
Enquanto está parado
Gira com o Sol
Girassol
Que o Sol gira com você

Ao meio dia
Aumente a sua alegria
Porque é finita
No pôr do sol
Você vai se por
A escuridão cresce
E você desce
A Lua brilha
E você se humilha
Parece bem me quer
Mal me quer
Ah se suas pétalas
Fossem aladas
Sei que baterias asas
E voaria para seu astro
Sem deixar rastro

Girassol
Pé no chão
Suas pétalas são emoção
Mas sua raiz é razão
Poucos entendem seu sentimento
Nem te veem como ornamento
Tampouco como condimento
Você é um exemplo
De fixar na luz e seu clarão
E suportar a escuridão

É nascer do Sol
E você renasce
Bom dia, girassol
Você tem um dia pra girar
Ao redor do Sol
Abril 2019


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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Bastidores

Escreví umas poucas linhas para mostrar o privilégio que tive de ter feito parte do grupo de irmãos que participaram do resumo de A Sentinela. 27/01/2018, Salão de Assembléias de Itajaí, SC.
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Lá atrás dá pra ver na frente
Lá da frente não se vê lá atrás
Eu estava lá
Filmei com meus olhos
Gravei na mente
Guardei no coração
Toda aquela emoção
Lá nos bastidores
Não havia rancores
Esqueceram de suas dores
E viraram atores
Ví até maquiadores
E maquiados
Mas iriam atuar e falar
Em verdade verdadeira
Microfone na mão
E na mão um coração
Pulando e saltitando
Igual mola
Quando se descontrola
Haja coração!
Era muita emoção
Para um sábado de verão

Tinha pequeno parecendo gigante
Uns pareciam crianças mas eram gente grande
Ví até uma bengala
Solitária
Encostada
Estava preocupada
Sua dona não a deixa por nada
Mas ela e os amigos seus
Se apoiaram em Jeová Deus
E saiam lá de trás
Pra ir lá na frente
Ia dar o que falar
E falaram!

Eu ouvi anunciando
Mais de 1.800 aplaudindo
Eu não tenho certeza
E tenho cá minhas dúvidas
Mas eram palmas nas alturas
Era um acústico celestial
Só com ouvido espiritual
Pra ouvir as miríades
Os indicadores não contaram
Nem contabilizaram os de cima
Mas lá em riba
A assistência
Era de excelência

Erga o pescoço
Aprume o corpo
E vai me ver em meu posto
Todo orgulhoso
Desse pessoal talentoso
Fevereiro 2018


Esse que vos escreve, Ademir e Brigite, Natacha e Demis, Karina e Felipe, 
Salomé e (*) Gilberto, Vera e Edú, Pedro, Milena, Raquel e Fernando.
Marcelo e Elisângela, Rose, Eni, Juliana e Omari, Douglas, Mario e Joelma, Roberlene, 
(*) João Vitorino.

(*) Não estavam presentes neste treino.


Gilberto

João Vitorino




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Olhar 53

Não adianta por óculos
Nem usar binóculos
Meu olhar está mudado
E também o que vejo
A cena do mundo está mudando
Mundo mundano
Gira igual roda
Roda igual roda gigante
Às vezes dói latejante
Como num piscar de gente

Apesar de tudo
Apesar de mim
Vou distribuindo
Vou ofertando
É de graça
Não cobro nada
Não é muita coisa
Mas vale alguma coisa
Vale quanto pisca
Enquanto há vida
Aí vai meu olhar 53
Pra vocês

Esse gira alto
Altos RPM’s
Mas é CBN
Quem tiver sabedoria
Decifra
O que significa
A tal da sigla

Por favores
Sem confusão com cantores
(Forcei pra rimar, caros leitores)
Naquele tempo
Meu olhar nem era 23
A Cris me olhava
Com mais de 16
Tinha Rádio 43
Com Olhar Pirata
Mas que salada!
Perdão pelas confusões
Eram muitas Revoluções
Por Minuto por aquele mundo
Bons tempos idos
De oitenta e cinco

Mas a minha contagem
Começou em 64
Em pleno golpe de estado
Mas isso são outros Quadros
Que vou contando em olhares
Pelos meus retratos

Meu olhar vem emoldurado
Com rugas e rachados
Retratados
Em sulcos
Lapidados pelo mundo
Parece mapa de estrada
Mapa do fim do mundo
Cada risco
É indício
Do que fiz ou deixei de fazer
Fazer o quê!
Cirurgia a laser?
Creme pra anti-envelhecer?
Pra rejuvenescer?
Pode ser
Mas as marcas são profundas
Tá na cara
Basta encarar o espelho
Na parede do banheiro

Insisto em dizer a vocês
Lhes deixo meu olhar 53
Aproveitem minha generosidade
Pois já está pela metade
Dentro em pouco
Pelo pouco que resta
Vou dar uma piscadela
E um dígito se somará
Sei lá até quando
Vou ficar piscando
Mas por enquanto
Olhe nos meus olhos
Em meu olhar 53
Mas peço um favor a você
Não me diga o que vê
Janeiro 2018


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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Sábado mudado

Em maio de 2017, o Arthur, Gianlucca e o Níkolas foram morar em Major Gercino, SC. Foram aproveitar a pouca idade pra fazer mais na pregação. Escrevi essas linhas há alguns meses, mas somente agora resolvi postá-la aqui no blog. Em setembro o Paulo Sergio veio de Minas e juntou-se à eles. Aí tornaram-se não mais três hebreus mas quatro.
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O Arthur tá mudado
A cena do mundo está mudando
E ele se mudou num sábado

Ele deixou uma vida inteira
Pra seguir outra carreira
Largou o trabalho
Era estagiário e deixou salário
Tinha salário mas era estagiário
Ou o contrário
Mas se foi, em pleno sábado

Um caminhão encostou
E levou
Colchões e corações
Mudança e lembranças
Cobertas e noites mal dormidas
Infância e adolescência
Sorrisos e desavenças
Fraldas trocadas
Fadigas estocadas
Choradeira pra mamadeira
Médicos e remédios
Canseiras e brincadeiras
Alergias e alegrias
Aluno bom de escola
Alguns 10 nas sabatinas
Capital paulista e Santa Catarina
Ufa!
Meu Deus
Deus meu
Tudo isso caberia
Numa simples carroceria?
Tantos anos de vida
Agora amarrados numa corda fina
Tudo vai se ajeitar
No sacolejar
No caminho pra Major

É tchau e adeus misturado
Mas deixemos as lágrimas de lado
Elas estão guardadas em guardanapos
Estocadas em potes de barro
Mas você fez o certo e o correto
Deixou a maioria
E seguiu a minoria
Foi atrás de sua aposentadoria
Em Quem podia
Lhe presentear com alguma garantia

Vai em frente
Que atrás tem a gente
Estamos de longe
Olhando e orando
Com você
Pra você
Por você
De domingo à dezembro
De sábado à janeiro

Você e os amigos seu
Parecem os 4 hebreus
Foram pra longe
Pra quase-não-sei-onde
Da vida não sei muita coisa
Mas uma coisa eu sei:
Não comam das iguarias do rei
Sua mesa já é bem servida
Tem tudo necessário para a vida

E tudo naquele sábado
Era quase uma música de 84:
“Sábado lá fora e aqui
Faz tanto frio”
Parabéns, meu filho
Sua mãe está comigo
Jeová está contigo
E todos estamos no mesmo caminho
Janeiro 2018


Arthur, Níkolas, Gianlucca e Paulo Sergio


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Café Josué

Em Blumenau
Tem um cafezal
O dono era baiano
E por ironia da vida
Ele morava perto da rua Bahia

Quem o visitava
Ele presenteava
O regalo era café moído
Cheiro bom de rústico

Eu o conheci pouco
E o pouco que conheci
Eu vi
Sua arte de sorrir

Sua pele era cor de café
Seu sorriso era cor de xícara
Branco de alegria
Cor viva de vida

Lembro dele na porta do salão
Esperando pra apertar a minha mão
Apesar de suas dores
O aperto de mão era forte
Forte igual café forte
Torrado e moído na hora
... mas ele foi embora
A doença o derrubou
Mas ele caiu de pé
E uma dia ele vai se levantar:
“Levanta”
A Voz vai ordenar
O baiano vai responder, eu sei:
“Estou indo, meu Rei”

Um dia
Ainda
Ele vai me chamar no portão:
“Vem beber café socado no pilão
Já tá esquentando no fogão”

Café com Josué
Josué cor de café

Essa é a história de fé
E dos pés de café
Do meu irmão Josué
Dezembro 2017

Resultado de imagem para xícara de café
Sua pele era cor de café
Seu sorriso era cor de xícara

Cigarra a cantar

0:00
Ninguém vai lá fora
Perguntar pra cigarra
Porque ela cantarola
Dizem que ela profetiza
Anunciando a chuva e sua justiça
Reclamam que não é cantoria
E nem melodia
Mas que é só gritaria

A gente olha pro nada
E vê um breu
A cor de fundo
É escuro profundo

1:30
Eu ouço e acho um canto triste
Na escuridão da noite
Os animais não reclamam
Ouvem e nada falam
Mesmo se falassem
Nada diriam
Quanto respeito
Pelo sofrer alheio

2:45
A madrugada passa
Enquanto a noite avança
E a cigarra não se cansa
Ela canta e ninguém dança
Ela não toca viola nem gaita
Não baila nem usa saia
Apenas fica só
E canta de fazer dó
Ou ré, ou mi, ou sol
Mas a noite é da Lua
E a rua fica toda sua
Pra cantar com ou sem luar
A cigarra não quer lutar
É só cantar
Como que riscando o ar
Igual quadro negro escolar

A mata emite mais sons
Grilos não se omitem
Sapos não finguem
Gatos não se decidem
E em cima do muro permanecem
Morcegos se escondem
Atrás de suas capas
E a cigarra alienada
Canta enquanto tudo passa
A floresta não é acústica
Mas a sua coreografia
É estática e rústica

4:00
A hora voa
E ela não fica rouca
E canta feito louca
Parece que vai estourar
De tanto cantar
De tanto esperar
Quem vai elogiar?
Não sei porque
Mas ela canta e não cobra cachê
Não seria muito
Só pra cobrir os custos

4:25
Quer uma dica
De quem lhe admira?
Chame um louva-a-Deus
Aprenda a orar
E resolva o que lhe incomodar

6:00
Amanheceu e ela vai se calar
Mas vai deixar no ar
Algo a lhe entregar:
Seu amor não veio lhe ver
Eu desconfiei disso
Que havia um motivo
Agora ela vai viver o dia
Pra cantar à noite
Sinto por você
Dona cigarra
Que se veste de gala
Não se irrite
Mas vou lhe confessar
Amiga minha
Mas a dona formiga
Se ri de sua angústia
Bom dia pra você
A gente se vê ao anoitecer
Dezembro 2017




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Rotina de motorista

Depois de um longo inverno desempregado, surgiu a Uber e foi uma nova experiência profissional.
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Arrumei um trabalho
Consegui uma atividade
Batalhei um serviço
Abençoado com um ganha-pão
Ganhando a vida
Levando gente pra baixo pra cima

Tudo o que eu vejo
É passageiro
Definitivo é só o dinheiro
Que diz que vem mas não veio

Ora asfalto
Ora rua de barro
Suportam o peso do meu carro
E vou rodando e dançando
Conforme a música tocando

Bato borracha
Pelo dia adentro
Pela noite afora
De dia digo boa noite
De noite digo bom dia
A gente pode se perder nos horários
Mas não pode errar os itinerários

Meu carro também sente
É gente igual a gente
É um cara de lata
É um pé de borracha
Mas apelo pela sua boa praça:
Não bata pra entrar
E saia sem bater

Tem lugar com cara de fim de mundo
Jeitão de submundo
Iluminado ou tudo escuro
Colorido ou sisudo
Morro, barranco
Enlameado ou alameda
Matagal e coisa e tal
E agora José?
Encaro e engato a primeira
Ou saio dali de segunda?
A razão diz num ouvido:
Não  vai e volta, pois é fria
Na outra orelha
A emoção cheia de razão:
Avisa que a conta chegou sem avisar
Que a luz secou
Que a água findou
Que a geladeira esquentou
Que a mamadeira esvaziou
A decisão é sua
É sua a indecisão
Eu sei o que fazer:                                
Depende da cor da minha conta
Depende da cor de minhas calças

Se perguntar onde tem
Gasolina aguada
Ducha barata
Café e etanol
Eita nóis!
Dou endereço de tudo
Conheço essa cidade
De cor e salteado
Com os olhos fechados
Com o GPS ligado

Por falar em histeria
O aplicativo me grita
E eu já vou indo
Muita coisa não se aplica
Mas se explica
Por isso sai da frente
Que atrás vem trânsito
Maio 2017

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