sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Ventos e vassouras

O vento sopra forte,
E desnorteia folhas e cabelos,
Saias, vestidos e borboletas.
Feche os olhos,
Pra não pagar mico,
E ganhar um cisco.

Naquele redemoinho de coisas,
Muita coisa deveria ir embora,
Pra bem longe sem demora.

O gari vai dar muita vassourada.
Papel de bala,
Bitucas na calçada,
Camisinhas furadas,
Santinhos de candidatos,
E candidatos a santinhos.

E o vento vai varrendo,
Ajeitando o mês pra setembro.
No próximo mês é tudo novo.
Esperança e imposto,
Flores, roupas e contas.
O ipê amarelado,
Vai ficar descabelado.
O papelão com cara de edredom,
Vai deixar alguém na mão.
Vai voar pelos ares,
E virar lar de outro alguém.

O vento vai virar o mês,
E eu me virei não sei como.
Nem sei como eu vou me virar,
No próximo mês outra vez.

Vou falar com meu amigo gari,
E pedir truques e dicas,
De como dar vassouradas por aí.

Preciso limpar e faxinar,
Meus arredores e interiores.
                                                 Setembro 2014



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Caneca se fervendo

Eu observo o leite fervendo,
E já faz tempo.
Eu observo e nada faço.
O que faço é observar,
O leite a borbulhar.
Desde o início do ser humano,
O leite vem se esquentando.

Parece vulcão enfurecido,
Que outrora estava adormecido.
Quando o gigante desperta,
Todo mundo se desespera.

Mas a caneca é toda aberta,
E não esconde nada de ninguém.
Ela é vítima e não tem culpa.
Nessa realidade,
Todos são vitimados,
Todos são culpados.
O mais inocente é o fogão,
Que só esquenta a situação.

E o leite passou da metade,
E nós passamos das medidas.
E todos ficamos de boca aberta,
E de braços cruzados.
Quero ver até onde isso vai dar...
E não dá outra!
Agora basta uma distração,
Com a situação,
Pro leite se escorrer pelo fogão,
E se esparramar pelo chão.
A situação pediu um basta!

O fogão abriu suas bocas,
E o calor avisou pelos polos.
A caneca apitou,
Mas ninguém esquentou.
As geleiras se derreteram por nós,
E nós respiramos fundo pela Amazônia.
O buraco se abrindo lá em cima,
Era sinal que o buraco é mais embaixo!

Agora não dá mais tempo,
Pra pedir um tempo.
Agora é só sentar e chorar,
O leite que vai derramar...
Setembro 2013



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vivendo igual água

No planeta Terra,
A gente vive o ciclo da água.

No inicio a gente parece um pingo,
Mas já vai subindo,
Indo até o auge do ciclo.

Lá a gente se sente grande,
Se sente por cima,
Se sente vendo por cima,
Se sente gente na vida,
Se sente...

A vida tem muito valor,
Mas é frágil igual vapor.

A vida parece a chuva com seu frescor,
E o vapor desce como chuva.
Ora a chuva desce com ira,
Ora a chuva desce em calmaria.

A chuva se precipita humilde,
E rega o solo com sede.

Ela voltou...
Humilde à sua origem;
Voltou só,
Voltou ao solo feito .

Água e gente:
São iguais,
Da origem ao poente.
                                               Agosto 2014

No inicio a gente parece um pingo

sábado, 9 de agosto de 2014

Tem gente!

Tem gente,
Que quer ir para o céu,
Mas não quer morrer.

Tem gente,
Que quer ser malandro,
Mas não quer ser bandido.

Tem gente,
Que quer ser rico,
Mas não quer trabalhar por isso.

Tem gente,
Que pode até perder,
Mas não quer ver o outro vencer.

Tem gente,
Que quer virar a noite,
Se embriagando e tomando,
Mas sem tomar os tombos.

Tem gente,
Que quer ter,
Mas não quer pagar pra ter.

Tem gente,
Que dá bom dia,
Mas só se tiver um dia bom.

Tem gente,
Que faz suas rezas,
Mas só pra ser abençoado,
E se livrar das mazelas.

Tem gente,
Que barganha,
E não sente vergonha.

Tem gente,
Que quer ser político,
Mas não quer ser pego por isso.

Tem gente,
Que quer mentir,
Mas ninguém pode descobrir.

Tem gente,
Que quer ser brasileiro,
Mas não quer sofrer o ano inteiro.

Tem gente,
Que quer morrer,
Mas vive vivendo pela vida.

Tem gente,
Que quer viver,
Mas não quer chorar.

Tem gente,
Que quer viver a vida,
Mas não quer sonhar.

Tem gente,
Que quer sorrir,
Mas não quer fazer rir.

Tem gente,
Que quer ser gente,
Mas não quer viver igual gente.

Já notou?
Tem gente,
Que pensa igual à gente!
Agosto 2014






quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Para serem humanos

E lá vêm mais campanhas,
Para as pessoas serem humanas.
É paz no trânsito,
É guerra à pedofilia,
Diga não à pirataria.
Olha o jeitinho brasileiro!
Quando leio e vejo,
Todos estes movimentos,
Não tem jeito:
Dá vergonha e fico vermelho.

Pego o controle e aperto play,
E os jogadores pedem,
E brigam por fair play.

Outra solicitação:
‘Não jogue lixo no chão’.
Mais um enunciado:
‘Não jogue o papel no vaso’.
Minha cara, meu caro,
Mas que tapa de luvas na cara,
Pra quem tem vergonha na cara.

E no trem e no Metrô,
Têm bancos diferentes,
Pra gente igual à gente.
Mas precisa de bancos com marcas,
Para a educação dar as caras?
Na dúvida é só baixar a cabeça,
Fingir um profundo sono,
E ignorar a gestante ou o idoso.

E um cidadão encontra um pacotão,
Contendo mais de um milhão,
E devolve sem pegar um tostão.
Ele aparece na televisão,
É o novo herói da nação.
Mas o que ele fez demais?
É o que muitos fazem de menos.

Enquanto isso cartazes continuam,
Se pendurando e pedindo:
‘Faça o bem,
Não importa a quem,
Seja pra quem for,
Por favor’!
                                                   Agosto 2014



sábado, 2 de agosto de 2014

Cevada levada

Cerveja, colega gelada.
Cevada levada,
Para horas inesquecíveis,
Para momentos difíceis de esquecer.
Para happy hour,
Para bad times.
Para quem já saiu do trabalho,
Ou pra quem não queria,
Mas teve que sair do trabalho,
Bem contrariado.

Cerveja pra quem só quer beber,
Ou porque tá feliz porque fez um bebê.
Mas se for beber,
Pense em seu bebê.
Beba cerveja pura sem mistura.
Cerveja com volante e direção,
São três que não se dão,
E vivem se batendo lá dentro,
Por aí afora e fora do copo.
É igual ressaca de cevada barata,
Bate fundo e deixa a gente sem rumo,
Às vezes com a cara no muro.
Aí vem a dupla do barulho:
A dona ambulância toda sirene,
E o seu guarda todo sério.
Sem falar no Juca e no Hugo,
Chegando para o trabalho sujo,
Pra limpar seus dutos.

Muitos querem cervejetarianos,
Mas passam os tempos,
E não souberam serem eles mesmos.
A colega de colarinho desceu amarga,
Tudo ficou rodando,
E amargaram uma vida quadrada.
A bebida não foi prazer,
Pois bebiam pra esquecer.

Mas lembre-se sempre:
Se for assim,
Se o pessoal se queixa,
Se o copo não lhe deixa,
Tome uma atitude e deixe o copo,
Antes do copo tomar seu corpo.
                                                 Agosto 2014


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dizem por aí

Dizem que sou egotista e egoísta.
Dizem que sou velho,
Mas depois q sou moleque.
Dizem que sumo,
E que não assumo os meus assuntos.
Que vivo em meu mundo,
E que perco o rumo de tudo.
Dizem que sou simpático e carismático.
Dizem que sou lunático,
E também apático.
Uns dizem que sou inteligente,
Mas meio demente.
Muitos me chamam de chato,
E que sou um saco.
Nunca me chamaram de brilhante,
Mas já disseram que sou arrogante.
Já me chamaram de pinguço,
De pão duro e até de cabeçudo.
Dizem que sou irritado,
Nervoso e esquentado.
Outros dizem que sou da paz,
Calmo e bom rapaz.
Que confusão, que nervoso que dá!!!

Mas olhando os botões,
De minha camisa sem marca,
Mas bem passada,
Eu respiro fundo e penso ao mesmo tempo:
O tempo que tenho andado,
E vagado por essas terras e asfaltos,
Que não são muitos e também não são poucos,
Eu não teria tempo e disposição,
Nem dinheiro debaixo do colchão,
De ser tudo isso,
Ou parte disso tudo,
Que falam que eu sou,
Ou que deixei de ser.
Vai entender!

Então eu fecho a régua,
E passo a conta,
E chego à conclusão:
Nesse círculo fechado meio aberto,
Ou o povo tá redondamente certo,
Ou eu quadradamente errado.
Não teria uma terceira alternativa,
Pra eu livrar minha jugular,
Da derradeira guilhotina?

Mas pra falar a verdade,
Não tô tem aí,
E vou ficando por aqui.
Falem bem ou falem mal,
Mas faltem dos outros.
E você, o que diz de mim?
                                          Julho 2014